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Eu não sou a expectativa do outro.

Eu não sou a expectativa do outro.

Hoje, percebo que vivi muito tempo sob a camuflagem das exigências do meio, da posição social, do pertencimento a uma "tribo". Passei boa parte da vida ensaiando para um palco onde a plateia, na verdade, estava olhando criticamente se eu me encaixava nos filtros sociais deles.

A minha verdadeira liberdade existencial começou quando compreendi uma premissa dura, porém absolutamente libertadora: eu não sou a expectativa do outro.

Tentar caber na caixa das conveniências alheias — era como assinar um contrato de um personagem vitalício de um corpo e mente que não eram os meus.

Hoje entendo que a opinião alheia é exatamente isso: um problema de quem a emite. Ela não paga os meus boletos, não cura as minhas madrugadas insones e, definitivamente, não me fará companhia no fim da linha.

Aceitar quem eu sou, com todas as minhas luzes e as minhas sombras, exigiu uma coragem imensa. Teria sido muito mais cômodo vestir a máscara que a sociedade já me entregava pronta e engomada.

Porém, a autenticidade é a única virtude humana que não aceita falsificação. Quando eu, finalmente, abdiquei da necessidade de ser validado pelas exigências dos outros, o peso do mundo escorregou dos meus ombros.

Decidi ser eu, em minha totalidade. Não como um ato de rebeldia, mas como um atestado de maturidade. A vida é demasiado breve, frágil e única para eu vivê-la no rascunho, esperando o carimbo de censores que sequer conhecem a primeira página da minha história.