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É a mulher que pede o divórcio

É a mulher que pede o divórcio

Trouxe um tema que muita gente pensa mas não verbaliza.

Como está o casamento ? A resposta sempre é semelhante. Se o casamento vai bem, e há diálogo, pode melhorar. Se vai mal, como termina? Vou responder essa pergunta aqui. No texto abaixo.

Pesquisei o tema do porque um casamento termina. Acessei pesquisa pesquisas clínicas da Universidade de Stanford e da Universidade de São Paulo, Institutos de Pesquisas Aplicadas como IBGE e UNESCO para entender as razões. Acrescento que as razões do divórcio são semelhantes em todos os países que celebram um casamento sem influências culturais radicais.

Países que praticam a Lei Islâmica, tem razões completamente diferentes e adversas.

O tema é interessante. Vamos lá

O Fim do Felizes Para Sempre

Hoje, no Brasil, a matemática do amor é direta. Pode parecer um balde de água fria no romantismo, mas os números mostram um retrato fiel de como as nossas relações mudaram. O "felizes para sempre" não vem embutido no papel do cartório. Com o passar do tempo e a bagagem de quem já viu a vida acontecer, a gente percebe que o que sustenta uma união de verdade vai muito além de um contrato.

Para entender onde os casamentos tropeçam e como sobrevivem, é preciso olhar para a realidade atual. O raio-x dos relacionamentos hoje é o seguinte:

O CenárioA Realidade em Números
Volume de separaçõesA cada 2 casamentos realizados, 1 divórcio é registrado (45% do total).
Tempo de duraçãoUm casamento no Brasil dura, em média, 13,8 anos antes de acabar.
Quem decide separarAs mulheres tomam a iniciativa de pedir o divórcio em 70% dos casos.
Os maiores motivosFalta de companheirismo (frieza), estresse financeiro, traição e comunicação tóxica.
Os "colegas de quarto"Cerca de 40% dos casamentos falidos nunca acabam no papel por questões financeiras ou por causa dos filhos.
A chance de virada80% dos casais que se dizem "muito infelizes", mas não se separam, voltam a ser felizes em 5 anos.

Um dado interessante aparece nas pesquisas : 45,8% dos casais que se divorciam, possuem filhos pequenos... 24,2%, filhos maiores de idade e 30% não possuem filhos. Pode-se concluir que filhos não seguram um casamento ?

O câncer da relação

Muitos acham que um casamento acaba por causa de um grande estrondo, como uma traição. A verdade é bem menos dramática. O fim de uma relação é silencioso e começa na rotina.

O amor não acaba do dia para a noite. Ele morre naqueles pequenos sinais de desprezo: o revirar de olhos, o tom de voz sarcástico, a crítica que ataca quem o outro é, e a muralha de gelo de quem cruza os braços e se recusa a conversar. Esses comportamentos são como uma metástase cancerígena. Eles corroem a base da relação em silêncio e, quando o casal finalmente percebe, o teto já desabou.

Por que elas dizem basta?

Como os dados mostram, quando a estrutura cede, a decisão de sair dos escombros tem gênero : a mulher. E isso não acontece porque as mulheres amam menos, mas porque costumam chegar ao limite da exaustão.

Sobra para elas a pesada "carga mental": gerenciar a casa, as emoções de todos e ainda tentar consertar a relação esbarrando no silêncio do parceiro.

As mulheres tendem a buscar ativamente a resolução do problema. Porém, após anos de tentativas, a mulher atinge um ponto de ruptura emocional e pede o divórcio.

No passado, a dependência financeira segurava muitas mulheres em casamentos ruins. Hoje, donas do próprio dinheiro, elas preferem a paz da separação ao cansaço de remar sozinhas.

Nem tudo está perdido

Porém, a grande surpresa de toda essa matemática está no último dado da tabela. Há uma luz no fim do túnel para quem decide ficar.

A crise severa, na maioria das vezes, é só uma neblina espessa causada por problemas externos — a falta de dinheiro, o excesso de trabalho, os desafios de criar as crianças. Não é uma sentença de morte permanente. A estatística prova que, quando a poeira baixa e o casal tem a paciência de atravessar a tempestade, a conexão quase sempre volta.

No fim das contas, o sucesso de uma convivência não é a ausência de problemas. É a teimosia de querer consertar o que quebrou em vez de simplesmente jogar fora.

Relacionamento dá muito trabalho, mas a recompensa de ter alguém para dividir o peso e as alegrias da jornada, com muita realidade e sem ilusões, ainda vale a pena.

Nos países muçulmanos, a dinâmica do casamento e da separação muda drasticamente em relação ao Ocidente, porque o divórcio não é regido apenas pelo Estado civil, mas principalmente pela Sharia (a lei islâmica).

Embora o Islã permita o divórcio — sendo muitas vezes descrito nas escrituras como "a mais odiada das coisas permitidas por Deus" —, as regras do jogo são historicamente muito desiguais entre homens e mulheres. No entanto, esses países estão passando por uma revolução silenciosa.

Para manter a clareza, aqui está o raio-x de como o divórcio funciona no mundo islâmico hoje:

O CenárioA Realidade nos Países Muçulmanos
A LeiBaseada na Sharia. O casamento é visto como um contrato (Nikah) com regras rígidas de obrigações financeiras e morais.
Quando o Homem quer (Talaq)É um processo rápido e unilateral. Em muitos países, o homem pode se divorciar apenas declarando a intenção de repúdio ("Eu me divorcio de você"), sem precisar justificar o motivo em um tribunal.
Quando a Mulher quer (Khula)É um processo longo e judicial. Para conseguir o divórcio sem o consentimento do marido, a mulher geralmente precisa abrir mão de seus direitos financeiros e devolver o dote (Mahr) que recebeu no casamento.
Taxas de DivórcioEstão explodindo. Em países como Egito, Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes, a taxa de divórcios já encosta ou ultrapassa a marca dos 30% a 40%.
Motivos PrincipaisMulheres entrando no mercado de trabalho, maior nível de escolaridade feminina, redes sociais e a recusa em aceitar a poligamia ou abusos.

O Peso da Balança

A maior diferença em relação ao Brasil é o custo da saída.

No Ocidente, quando a mulher pede o divórcio, a lei garante a divisão de bens construídos juntos. Nos países de lei islâmica estrita, se o homem não quiser dar o divórcio, a mulher precisa usar o recurso do Khula. Na prática, ela "compra" a própria liberdade devolvendo o dote do casamento, saindo muitas vezes com as mãos abanando financeiramente. Além disso, a guarda das crianças mais velhas costuma passar automaticamente para o pai após uma certa idade (geralmente entre 7 e 9 anos).

Isso fazia com que, historicamente, as mulheres muçulmanas suportassem casamentos infelizes por não terem como se sustentar ou por medo de perder os filhos.

A Revolução do Casamento

Apesar dessas barreiras legais pesadas, o cenário está mudando em uma velocidade impressionante. Os países árabes e muçulmanos estão enfrentando o que seus governos chamam de "crise do divórcio".

O que está acontecendo?

  1. Independência Financeira: Com as reformas econômicas (especialmente no Oriente Médio), muitas mulheres começaram a trabalhar e ter seu próprio dinheiro. Assim como aconteceu no Ocidente décadas atrás, a mulher que se sustenta não aceita mais qualquer tratamento.
  2. A queda do estigma: O divórcio, que antes era uma vergonha absoluta para a família da mulher, começou a ser normalizado.
  3. Novas exigências: Muitas mulheres estão incluindo cláusulas pré-nupciais no contrato de casamento islâmico, exigindo o direito de trabalhar, proibindo o marido de casar com uma segunda esposa (a poligamia é permitida aos homens no Islã) ou garantindo o direito de manter os filhos.

Resumo da obra: A lei nesses países ainda favorece amplamente o homem, tornando a saída da mulher muito mais difícil, burocrática e financeiramente punitiva. Mesmo assim, com o aumento da educação e da renda, as mulheres muçulmanas estão cada vez mais dispostas a pagar esse preço para sair de casamentos falidos.