O Dia D
A Vitória ou a Derrota
Nesses últimos dias, tenho vivido sob o impacto da ferocidade da disputa das eleições. Tenho pensado muito e refletido sobre o Brasil que disputa voto a voto para manter a democracia viva.
Estou feliz por ser brasileiro. Sou parte da turma que deseja a estabilidade da democracia como regime político. Estou feliz porque vejo tantas manifestações nas redes sociais de pessoas físicas desconhecidas, como eu, e celebridades dando o voto e explicações consistentes sobre porque a democracia deve vencer o pleito. Surgiu um contágio de ideias ufanistas, vibrantes e espontâneas. Um individuo racional surgiu. Ele não se importa como será rotulado se de esquerda ou de direita. Esse individuo pleiteia a paz para todos. Pleiteia a continuidade da Constituição. A nossa carta de direitos e deveres. Nosso guia cívico. Nada mais.
O Lula entendeu claramente o que está em disputa. A liberdade ou o retrocesso.
Estou feliz. Digo novamente. Porque eu descobri um povo diferente a qual, com orgulho pertenço.
Mas, quero chocar um pouco agora. Trazer a realidade do Hoje :
Tenho pensado nos dois cenários possíveis. Lula ganha X Lula perde. É estonteante pensar que podemos voltar 62 anos no tempo, quando a ditadura se instalou no poder. Eu morava em Brasília naquele tempo. Eu tinha 5 anos de idade quando o Golpe Militar ocorreu. Naquela semana, recordo da minha mãe com o ouvido grudado no rádio, dia após dia, ansiosa por ouvir notícias de meu pai. Ele, militar da Aeronáutica fora preso por participar da resistência ao golpe de 64.
Óbvio que eu nada entendia. Mas ficou na memória o som do rádio, a angústia de minha mãe e a saudade do meu pai. Lembro que eu fazia um ritual da saudade. Eu ia para debaixo da mesa de jantar e sentava no chão e falava sem parar : pai vem logo, pai vem logo, como se um mantra fosse. Meu pai ficou preso um tempo que não sei precisar. E quando saiu da prisão, veio para casa sem o uniforme. Ele foi exonerado da força aérea. Minha mãe, a partir daquele dia se transformou em uma pensionista de marido morto.
Todos que viveram na época, sabem o quanto sofreram com o sentimento da incerteza de como seria a vida a partir de então.
Eu estou com esse sentimento agora. Nada aconteceu até agora. Mas no próximo domingo, teremos a definição.
A música do Chico Buarque vem com melodia e letra sem pedir licença e explode na cabeça fazendo uma associação imediata com o momento atual ;
"O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo"
A insegurança cívica, trás pesadelos diários. Visualizei dois cenários para o dia 25 por volta das 22h:15 . Momento para realizar a euforia ou a maior angustia :

O Discurso da Vitória de Flávio 22h15 do dia 25/10/26
*"Brasileiros e brasileiras, a farsa caiu. O sistema foi implodido pelas urnas. Vocês disseram não à tirania daqueles que achavam ser os donos do Brasil. A partir de amanhã, a segurança pública passa para as mãos do cidadão de bem: vamos popularizar a venda de armas e descriminalizar a raspagem do número de registro, porque o Estado não tem o direito de rastrear quem protege sua família.
A Constituição de 1988 será reescrita para libertar quem produz. O STF vai encolher na marra, com o impeachment dos ministros que usurparam o poder. A pacificação exige justiça: assino no primeiro dia a anistia total e irrestrita a todos os heróis do 8 de janeiro. Meu irmão e meu pai, Jair Bolsonaro, estão livres e com a honra restaurada.
E na economia, o corte é cirúrgico: o Bolsa Família e a burocracia da CLT acabam aqui, substituídos pelo livre mercado e corte de impostos. O dinheiro não vai mais financiar a preguiça do Estado; ele volta para o bolso do pagador de impostos. Deus, Pátria, Família e Liberdade!"*

O Discurso da Vitória de Lula. 22h15 do dia 25/10/26
*"Minhas companheiras e meus companheiros. O Brasil respirou aliviado. A esperança, mais uma vez, derrotou a barbárie. O povo mandou um recado claro: a nossa democracia é inegociável e a nossa soberania não está à venda! Derrotamos o projeto que queria entregar o Brasil aos interesses estrangeiros.
A partir de 1º de janeiro, a economia vai voltar a servir ao povo. Vamos consolidar a diminuição da taxa de juros com a inflação sob controle rigoroso. O Brasil vai recuperar o cobiçado Grau de Investimento Internacional, provando ao mundo que é possível ter responsabilidade fiscal sem nunca abandonar a responsabilidade social!
Chegou a hora de enfrentar o crime organizado com a força do Estado Nacional. Aprovaremos a PEC da Segurança Pública, unificando o combate ao crime sob a coordenação do Governo Federal e blindando nossas fronteiras. A segurança deixa de ser um problema isolado de cada governador.
O dinheiro do povo voltará para o povo. Vamos garantir o aumento histórico das verbas para a Saúde e para a Educação, além de manter o ganho real do salário mínimo. Quem vai pagar essa conta são os super-ricos, com uma reforma tributária justa. Ninguém vai soltar a mão de ninguém. Viva a democracia!"*
E ai? Duro né ? Qualquer um dos cenários pode acontecer. A possível realidade do Flávio ganhar tira a segurança de viver em um lugar de paz. Entendo que a metade da população tem o ouvido mouco. Não querem ouvir e entender. Só querem ter alguém que os represente. E este é o Flávio. Que turma !
Temos 3 dias pela frente. Só nos resta continuar e impedir a extrema-direita de vencer.