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Como confiar numa parceria ?

Como confiar numa parceria ?

Sabe, andei pensando muito sobre essa história de "fazer alianças". A gente escuta o tempo todo que ninguém chega a lugar nenhum sozinho. E é verdade. Mas, cá entre nós, construir uma parceria segura de verdade dá um trabalho tremendo. A grande pergunta que sempre acaba martelando na cabeça é: a gente deve mesmo se amarrar aos outros? Vale a pena correr o risco de colocar a nossa jornada nas mãos de outra pessoa?

A resposta nua e crua é: sim, devemos. Pensa num ambiente de emergência, numa sala de cirurgia. O cirurgião principal pode ser o maior gênio da medicina moderna, mas se a equipe de enfermagem, o anestesista e o instrumentador não estiverem em absoluta sintonia com ele, a vida do paciente escorre pelos dedos. A nossa vida exige que a gente ande de braços dados. A gente precisa dessa rede para aguentar os trancos que o mundo dá.

Mas aí muita gente me faz uma pergunta capciosa: fazer uma parceria significa confiar cegamente no outro?

Olha, vou te falar com toda a franqueza: confiar cegamente não é parceria, é abdicação. É terceirizar a sua responsabilidade e fechar os olhos para a realidade. Confiança de verdade não é cega; ela tem os olhos bem abertos. Ela exige acompanhamento, alinhamento constante e, principalmente, a maturidade de entender que o outro é humano e pode falhar. Voltando à sabedoria estratégica de Sun Tzu, um general não confia cegamente que o terreno é seguro porque alguém disse que era; ele mapeia, ele envia batedores, ele planeja junto com seus comandantes. Se você simplesmente entrega o volante da sua vida ou do seu projeto e vai dormir no banco do passageiro, você não está construindo uma aliança segura, está contando com a sorte.

E quando a gente está acordado e prestando atenção, percebe onde mora o maior risco. O perigo quase nunca vem de quem está do lado de fora; ele vem do nosso próprio ego. Sabe o que costuma acontecer quando pessoas competentes e cheias de energia se juntam? Se não vigiarem as próprias atitudes, começam a competir entre si. Em vez de unirem forças para resolver o problema, começam a medir forças. Querem ver quem tem mais razão, quem fala mais alto, quem brilha mais. O pior erro que você pode cometer é atacar a sua própria muralha. Competir com quem deveria ser o seu maior apoio é um tiro no pé. É a receita certinha para criar inimigos debaixo do próprio teto.

Então, o que a gente não deve fazer de jeito nenhum para evitar que o companheiro de jornada vire um rival? A resposta é simples, mas dói: a gente não pode ser covarde na hora de se comunicar. A gente não destrói uma relação quando discorda de uma ideia, ou quando o sangue esquenta tentando achar a melhor solução. A gente destrói a parceria quando engole sapo. Quando guarda aquela mágoazinha boba, não fala o que incomoda e começa a agir com segundas intenções.

O silêncio covarde é o veneno de qualquer aliança. Para a coisa dar certo e não gerar inimizades, tem que ter papo reto. Tem que ter coragem para colocar o elefante na mesa, olhar no olho e falar a verdade, mas sem querer diminuir a pessoa que está do outro lado.

E vou te falar a real... mesmo com toda a transparência do mundo, com os olhos bem abertos e a comunicação afiada, a gente ainda vai quebrar a cara. Algumas parcerias vão azedar, expectativas vão ser frustradas. O cansaço bate e a estrutura balança. E quer saber? Tá tudo certo. Cair faz parte da mecânica de estar vivo. O segredo não é nunca ir ao chão. Isso é ilusão.

Cair e nunca desistir não significa dar murro em ponta de faca ou fingir que o tombo não doeu. Significa ter a humildade de sentar no chão por um minuto, olhar para os cacos da situação, entender o que desandou — sem ficar caçando culpados feito criança — e decidir como seguir. A gente cai, respira fundo, aprende o que a pancada veio ensinar e volta a caminhar.

No fim das contas, a aliança mais segura que a gente pode construir é aquela onde as pessoas se desarmam. Onde um serve de escudo para o outro nos dias difíceis. Porque a gente só descobre o verdadeiro valor de uma parceria quando as coisas dão errado e, em vez de apontar o dedo, a outra pessoa te estende a mão para te ajudar a levantar. E vocês fazem isso, sempre, com os olhos bem abertos.